sábado, 24 de dezembro de 2011

terça-feira, 25 de maio de 2010

Maio-68 chega à Universidade

(com colaboradores)

Esperado desde a greve de 2007 (TZN09), foi só em maio de 2010, quando já era dado por algo como um neo-Godot por seus esperadores, que Maio-68, animado pelo (quase) sucesso de Trezenhum, resolveu tomar um avião direto do Quartier Latin para a Faculdade das Humanas ou, para melhor localizar os de fora, de Paris direto para a Universidade. "Faz tempo que queria dar um pulo aqui, ver como é todo este espírito revolucionário, mas sempre adiava. Sabe como é, idade pesa, ainda que a bengala seja de silicone com titânio e pese apenas duzentos gramas. Porém, pesou mais as notícias que o Estraburgo-66 me trouxe sobre vocês". Estrasburgo-66 esteve na Universidade em maio passado, e a pedido do próprio, não teve sua passagem alardeada, ainda que Trezenhum não tenha deixado tão semi-ilustre presença passar em branco (veja nota da redação do TZN49).
Se a vinda de Maio-68 foi o sonho realizado de todo o paramento estudantil, assim como dos revolucionários de plantão e da Equipe Trezenhum, certa decepção foi geral. L era um dos mais frustrado: "porra, ele veio da França e nem esteve trazendo o PlayStation que eu estava esperando desde que eu entrei greve", disse o fabuloso intelectual-revolucionário [sic-sic], famoso pela tese da greve permanente (deve estar em um TZNbeta, ou seja, pré TZN10). Ele garantiu que prosseguirá com a greve enquanto não ganhar seu video-game. L, paty revolucionária [sic] independente [sic], disse que achou Maio-68 um tanto decadente, fora de forma, e salientou a considerável saliência presente na região diafragmática do referido senhor, a qual - a saliência - seria capaz de suportar dois copos e uma garrafa, "ao menos é útil". M tinha opinião parecida: "eu imaginava que ele fosse tipo o Super Homem ou o Batiman". Porém, sua decepção se misturava à sua raiva, pois tinha tomado banho para estar bonito e cheiroso para receber Maio-68, sendo que não fazia nem 15 dias que ele tinha tomado o último (em tempo: na Faculdade das Humanas, banho só é digno desse nome quando acompanhado de sais de banho e cremes e loções. O kit diário sabonete-xampu-condicionador (este último imprescindível para dar o aspecto de oleoso e sujo ao cabelo) é só manutenção, indigno de ser chamado de banho).
Claro, além da decepção e indignação, houve também as manifestações contra Maio-68, afinal, o grupo dos soy contra precisa ser contra tudo. A Afirmação da Negação, em cartazes que mais pareciam propagandas das Casas Baianas, negou que 68 seja um ano revolucionário e afirmou que a verdadeira revolucção está por volta de 1917. A LEIR-QI-DSMV (Lesão por Esforço Intelectual Reduzido-Quinta Internacional-DSM-V), por seu turno, em gritos de guerra disse que a única e absoluta revolucção verdadeira só pode vir com o espectro de 1848, e que é preciso preparar o terreno tecnológico para a vinda da revolução verdadeira, que há de "estar chegando" de trem a vapor e carroça. O Movimento Jr., do PCU, Partido da Causa Uberária, também protestou, mas tenham dó, há limite.
O grupo Papoulas Gustativas foi outra decepção. O famoso grupo anunciou que faria uma performance em homenagem a Maio-68, tirando a roupa e simulando praticar sexo livre. Porém, como a namorada de um deles vetou, e Xelim, que era quem tinha coragem de fazer isso, estava trabalhando àquela hora, preferiram se comportar, como mamãe ensinou.
E até mesmo a Equipe Trezenhum teve sua pontinha de decepção. Sérgio S., ex-integrante da Equipe voltou para a Universidade só para ver Maio-68 de perto, e disse que perdeu a viagem. Ele resumiu bem o que foi a passagem de Maio-68: "imaginava que Maio-68 seria mais engraçado - tira o mais -, imaginava que seria engraçado, divertido, espirituoso. Achei ele um tanto enfadonho, enrolado, demorado, ridículo em certas horas, quando se centrava em picuinhas. Fosse aluno de graduação e era capaz de ser do tipo que se preocupa com o rendimento das notas do CB [coeficiente de bovinidade, imprescindível para se conseguir uma bolsa ou mais]; fosse da pós, e suas preocupações seriam só com o tamanho do seu currículo Lattas e em acumular milhagem acadêmica na FEPESP-TUR. Em suma, perdi meu tempo". O que não deveria ser novidade para um ex-integrante de Trezenhum.
Decepção também para Maio-68. Apesar de dizer que tinha adorado o Brasil, que achara o povo muito hospitaleiro, cordial, prestativo, bonito; lamentou que as idéias mais avançadas que visse fossem as suas: "nem parece que estamos num local de produção de conhecimento: na política, só atraso, na ciência ainda num positivismo de fazer inveja à Viena fin de siècle. Deve ser porque o pessoal da Universidade gasta todo o seu cérebro para fazer as coisas, levar a vida conforme os padrões exigidos pela FEPESP, e acabam por esquecer o que é pensar". Ele ainda disse mais: "convenhamos, fazer revistinha como se fossem quase blouson noir, se achar vanguarda papagaiando o que eu dizia 40 anos atrás, só se for a vanguarda do atraso. Sem contar que repetir frases passadas é prova cabal de que não entenderam nada, nem elas, nem Marx. Como não sou pastor, não vou ficar aqui fazendo citação, Marx, Trotsky, Stálin - sei lá -, salmo tal, versículo tal; poupo-lhes. Mas já notaram que, assim como são os religiosos, em especial os evangélicos, os que mais avacalham com Deus, são os marxistas os que mais avacalham com Marx?"
A decepção, entretanto, não impediu que Maio-68 se emocionasse ao descer as famigeradíssimas Escadinhas da Revolução - a Wembley da revolução, a Broadway da Universidade, o Tuca do século XXI - para proferir sua fala a uma platéia ávida pela Verdade; nem impediu que os espectadores o ovacionassem: "é maio-68, cara! Ele é tudo de bom!", bem resumia o sentimento geral a eufórica supracitada T.


Já está na avenida a Greve 2010, aí gente!
Aos perdidos no tempo, utilidade pública Trezenhum: estamos em maio, logo estamos em greve. Não nós, claro, porque a imprensa, essa voz do povo sem voz - e é bom que não tenha mesmo, porque senão a imprensa não vai poder seguir falando tanta merda -, não pode parar nunca; mas a Universidade, mais especificamente os funcionários congregados no seu sindicato, o SiFU (Sindicato dos Funcionários da Universidade). Para melhor se inteirar das novidades, reivindicações, samba-enredos, idéias, gritos de soy contra, etc e tal do movimento, basta entrar nos TZN dos maios passados (por sinal, falando em maios passados, esquecemos de noticiar a chapa feminista para o DFE que teve ano passado: a "outros maiôs virão"). Também é possível ir até o Arquivo Edgard Ellen Roche e consultar os anais da Universidade, que reporta todas as greves anuais desde 1960, quando ela - a Universidade - era mais sincera e ainda se chamava CU - Campinas University.


Vazamento de notícia sobre experimento esvazia feijoada do Bandejão
Deu errado o experimento que estava sendo desenvolvido em conjunto pela da Faculdade dos Químicos, Faculdade dos Engenheiros, setor Nutrição, e a Faculdade das Humanas, em parecia com o Bandejão. O experimento, planejado desde meados de 2009, teria sua primeira fase no dia sete de maio, na feijoada do Bandejão. Tal experimento consistia em nova fórmula para a fabricação natural de homens e mulheres bomba, que não passasse nem pelo carregamento de explosivos de pólvora, nem na ingestão de Menthos com Coca-Cola daieti. O composto bombástico - muito simples e engenhoso - consistia na introdução, muito sub-repticiamente, de salada de repolho no cardápio da feijoada. Num segundo momento, substituir-se-ia a sobremesa de laranja por JaKult.
O experimento do dia sete de maio corria normalmente até às 12h10min: a fila maior do que de costume, mas, diferentemente dos outros dias, com pessoas felizes, sorridentes, portanto sacos de farofa, litros obscenos de Coca-Cola, faixas de "eu amo o Bandejão (em dia de feijoada)", mesmo uma camisa da campanha Trezenhum "Eu tenho moela: em defesa do Bandejão" (tá num TZN velho pra burro), além dos tradicionais gritos de torcida que a iguaria inspira, com algumas alunas da Faculdade dos Artistas ensaiando um original coreografia: "Me vê um F! Me vê um E! Me vê um paio! Me vê um I! Me vê um J! Me vê um sal-de-frutas! Me vê um O!", e por aí vai. Foi quando rapidamente se espalhou a notícia (não fomos nós!) de que aquela feijoada serviria para experimentos com os alunos. Recebido o boato pela metade, os clientes universitários trataram de completá-lo com teorias conspiratórias dignas de qualquer seriado americano de sucesso. Logo se dizia que tal experimento teria vez, depois do Bandejão, no IEU (Instituto de Exames Ufológicos, veja o TZN66), e serviria ou para estudar um novo composto de exumação de ETs, ou que havia qualquer coisa radioativa na feijoada - mais do que no suco de amarelo! - e que tal elemento atrairia discos-voadores, como os vistos na última avacalheição para o DFE (veja o TZN59, por aí).
Assustado com uma possível sublevação popular, o reitor FF Casto exigiu a verdade, "somente a verdade, não mais que a verdade" sobre o experimento. A primeira a se pronunciar foi a apagada, derrotada, humilhada, mas ainda viva GM Pastoral. A grande pesquisadora veio a público para, além de anunciar sua candidatura nas próximas eleições para reitor - ela é brasileira e não desiste nunca de nos cansar -, que o experimento, nesse estágio, não trazia risco de morte nem ao alunos-bomba nem aos seus desavisados colegas de sala, por não conter o leite fermentado que haveria de produzir enormes catástrofes sociais - isso porém, não quer dizer que seus efeitos fossem inofensivos ou inodoros.
Já na ala sociológica e revolucionária do experimento, houve algumas pequenas divergências. O revolucionário de gabinete oficial (ainda que não único) da Faculdade das Humanas, M. Spaceships comentou que as previsões eram boas, e que em breve o capitalismo cairia e a verdade sobre o epistêmio de Marx seria evidente a todos que quisessem ver (em sessão proibida para menos de 18 anos). Já o revolucionário, também de gabinete, professor dr. Maomé disse que, caso tivesse êxito, os alunos-bomba desestabilizariam a moral e a família burguesa, corrompendo o sistema desde dentro, "sem comprometer os ganhos da marcha da civilização que alcançamos, como as taças apropriadas para beber vinho". Ele foi além e disse que nunca ouve ruptura do epistêmio em Marx, que Deus não possui peitos e que por isso não pode ser bolinado nem provado. Oberto Ostrogodo - esse não exatamente um revolucionário, antes um conservador reaça e precário, ainda que se considere vanguardista da inteligência progressista - condenou os objetivos da pesquisa, classificou-os como "um acinte, um descalabro, uma vergonha", e disse que isso era prova da falência da Universidade, por não possuir nem um curso de teologia, nem um de direito, de modo que ficam todos "sem rei, sem lei, sem Deus". Ostrogodo, por seu turno, foi fortemente criticado pelo professor Antônio Ricardes, que afirmou peremptoriamente que Habermas está errado - apesar de às vezes escrever o nome do alemão errado, "Junger", quando, todos sabemos, Rábermas já está um pouco velhinho -, assim como quem acredita que Marx teve o epistêmio rompido, "fruto de uma mente conservadora de um social-democrata ingnorante [sic] que não se deu conta de toda a majestade de Marx". Indignado, o professor Lorde bem que tentou rebater as acusações contra Rábermas, mas começou a passar mal e teve que ser internado às pressas. No hospital, contudo, deparou-se com o professor Maloi como colega de quarto, e ambos chegaram às vias de fato, este batendo porque aquele não fez a leitura correta do capital, aquele batendo porque este tentara roubar sua idéia para a construção do Marxômetro, em parceria com a Faculdade dos Computadores. E a porrada em nome da extirpação do inimigo em pele de cordeiro teria continuado com tudo na Faculdade das Humanas, não fossem os relatórios Capas para serem preenchidos, e a idéia do professor dr. Mr. Bean-Anqui, que propôs um colóquio para a apresentação das propostas para o governo revolucionário, proposta a sua que foi muito bem recebida e comemorada com vinho (bebido em taças adequadas, é claro).
Sobre quem teria divulgado o boato (não fomos nós, repetimos), a polícia do pastus disse que irá investigar o caso, assim que não precisar mais ficar apartando briga de revolucionários.

Computeiros e economistas divergem sobre reação ao boato
Computeiros e economistas consultados pela Equipe Trezenhum não conseguiram se entender, eles também, sobre os motivos que teriam causado tamanho pânico e conseqüente esvaziamento do Bandejão em dia de feijoada.
Para os economistas, trata-se de um caso típico de comportamento de manada, em que tendo alguns iniciado o debande, os demais foram atrás, porque é racional agir assim, e isso, inclusive maximiza utilidades dos "seres econômicos", o que, na linguagem dos ignorantes como nós quer dizer que sair correndo com o grupo é o mais óbvio, mesmo quando ilógico, e que isso faz com que as pessoas (os tais de "seres econômicos") acabem lucrando. Principalmente se for o dono da cantina da Faculdade dos Futuros Grandes Weinstein (veja nota abaixo).
Já os computeiros, o poder viral e o comportamento típico de flash mob seriam mostra da mobilização 2.0 da humanidade, conduzida pela internet, principalmente pelas redes sociais [sic (ou seria suck?)]. Muitos deles também frisaram que hoje, quem ganha eleição é quem tem mais seguidores no livro-cara, como foi o caso de Obama e do Mokus.

Cantina dos Futuros Grandes Weinstein tem recorde de clientes
O dono da Cantina dos Futuros Grandes Weinstein era só alegria na sexta, dia sete, e quase chegava a esboçar um sorriso, mostrando que um dia até pode-se ter sonhado que ele seria uma pessoa simpática. Famoso pela sua não-simpatia e pelo peito peludo - que eventualmente dá um toque extra aos salgados do local -, ele comentou que nunca vendera tanta feijoada como aquele dia. A explicação não foi difícil de achar. Em conversas rápidas com muitos dos clientes universitários lá instalados, todos alegaram que ficaram com vontade de comer feijoada, mas ficaram com medo de fazer parte do misterioso experimento, de forma que preferiram encarar a feijoada ruim, sem graça e cara da referida cantina: "não é a mesma coisa, o feijão não tem caldo, as carnes não tem gosto, o arroz é sem tempero, o preço é a única coisa com sal, salvo onde caiu um pouco de suor do cozinheiro, mas eu queria muito comer feijoada", se justifica P, da Faculdade dos Números.


Bandejão fechado leva caos ao pastus e anúncios de apocalipse
Nem tudo é mais do mesmo na greve 2010. Pelo menos se comparada à greve de 2009. Em um ato ultra-radical, ultra-rebelde e ultra-revolucionário, os grevistas impediram que os fogões do Bandejão fossem ligados nesta segunda, dia 17 de maio, de forma que, pela primeira vez desde 2005 ou 2006 (não havia TZN aquela época para sabermos ao certo), a referida casa de pasto não funcionou (exclui-se aqui os casos de apagões ou fim de comida antes do fim do expediente).
O camarada ultra-revolucionário Xum comenta como surgiu a idéia: "cara, a gente estava na virada cultural, e aí tava muito loco, aí eu disse: vamos fechar o Bandejão, aí todo mundo apoiou, porque isso pode parecer um pequeno passo para o homem, mas é um grande passo para a revolução".
O fato de não haver bandejão no dia - apesar da comida [sic] planejada para o dia ser salsicha - causou enorme caos no pastus: filas nas cantinas, pessoas passando fome, nóias perambulado sem rumo por não terem suprido sua dose necessária de drogas bandejônicas - que vêm concentradas principalmente nos sucos [sic]. A Abu-Seita Cristã convocou seus fiéis e saíram todos pregando pelo pastus que fechar o Bandejão era prova de que a Universidade estava tomada por satanistas, anti-crististas e ateus, e que eles deveriam ser expulsos da Universidade, para melhor harmonia do local, e os livros hereges por eles lidos, queimados: "vamos usar essas merdas de Marquis, Canti, Raideguer pra fazer o fogo necessário para aquecer nossa salsicha", dizia T, da Faculdade dos Engenheiros, um dos líderes da Abu-Seita Cristã. Ele disse ainda que, se nada fosse feito para extirpar o mal pela raiz, aquilo poderia ser o prenúncio do apocalipse, e que "todos os que não se converterem ao verdadeiro deus vão queimar nos fogos do inferno até que seu corpo esteja sangrando em carne viva, sua cabeça separada do corpo, seus membros, decepados, seus olhos, furados, sua língua, cortada, suas unhas arrancadas que sua alma esteja derretida a 1500 graus celcius [sic]".
Já o Todos Pela Universidade promoveu violenta manifestação pelo Orkut. Com xingamentos de "viados", "comunistas", "maconheiros", "ateus", "vagabundos", "filhos da puta", e só, porque o repertório deles não é lá muito extenso, eles não se cansaram de dizer que iriam matar os "qualificativo supracitado qualquer" assim que os encontrassem na rua. A Equipe Trezenhum bem poderia ter perdido mais o seu tempo lendo os comentários, de maneira a fazer uma reportagem mais completa, mas tinha mais o que fazer do que ler as pérolas classe-medistas dos alunos da Universidade.


Bandejão sofre novo ataque de fúria dos verdes da Universidade
Ainda inconformados que o feijão do Bandejão tenha caldo de carne, os verdes da Universidade tiveram mais um duro golpe no seu sonho de um mundo sem animais: descobriram que também os legumes e o arroz e a soja (soja é "aquela farofinha" que os não-verdes sempre se servem) e as sobremesas possuem algum caldo: ou caldo de carne, ou caldo de galinha, ou caldo de costela, ou caldo de peixe, ou caldo de cozidão misto. A informação foi dada por um ex-nutricionista [sic] do Bandejão, que, apaixonado por uma verde, se arrependeu das milhares de toneladas de caldos que usou nos pratos [sic] do Bandejão, sem avisar "esses heróis da natureza" que são os verdes e seu desejo de um mundo sem animais. Dentre os verdes mais indignados estavam o Kiko, a sobrinha do Galvão e um ex-coroinha convertido ao verdismo, que chegaram a cogitar explodir o Bandejão no dia da feijoada, mas adiaram a idéia, "porque dia de feijoada o feijão é muito gostoso, ainda mais com aquele molhinho de pimenta", molho o qual, eles sabem mas fingem que não, possui carne (não é sequer caldo).
Questionada sobre o assunto, T., aluna da Faculdade dos Engenheiros e ex-líder verde da Universidade, disse que não estava a par, mas agradeceu pela informação: "vou ficar dois meses sem aparecer nas reuniões. A última vez que teve esse tipo de denúncia, quase fui crucificada por ser amiga de vocês", disse ela, que já foi mais do que amiga da ETZN. Já N., ex-aluna da Faculdade das Humanas e atual líder verde e ultra-ver da Universidade Super Poderosa, acusa o Trezenhum de estar por trás da revelação de mais esse caso de caldos animais na comida do Bandejão: "conheço vocês, sei quem vocês são desde o TZN09 [detalhe: no TZN09, por ser ainda uma versão beta, temos certeza que ela não conhecia o Trezenhum, muito menos os integrantes da Equipe], e sei o quanto vocês gostam de perturbar a paz das pessoas de bem. Pois saiba que isso não vai ficar assim e vou estar denunciando vocês pro Conselho Regional de Humoristas, por atuarem sem credenciais!". N. é conhecia pela Equipe Trezenhum por ser ódio feroz ao Trezenhum, só comparado a certos integrantes do baixo clero do Grupo Público Ltda. S/A (nós suspeitamos que ela chegou a fazer parte do Comitê Revolucionário Kurt Cobain, na sua época mais radical. Veja num TZN da pedra). Ela disse que tem provas da ligação do referido ex-nutricionista com parte da Equipe.
G., aluno da Faculdade das Humanas, era só lágrimas no dia que nossa reportagem foi ter com ele: "quando vamos comer em paz", perguntava, entre lágrimas e goles de psico-sur com mel, numa clara demonstração de depressão verde profundíssima.
Já R., aluna da Faculdade da Terra, fazia as contas de quanto precisaria a mais por mês, agora que não poderia mais comer por dois reais: "prefiro pagar dez por aquela comida sem sal, sem tempero e sem graça da Faculdade dos Artistas, a comer no Bandejão", esbravejava ela, e completava: "sou uma pessoa de origem humilde, o dinheiro que vou gastar a mais, terei que tirar de algum lugar", dentre as opções, estava vender seu aparelho de chapinha, ou mesmo parar com a maquilagem.
Procurada por Trezenhum, a presidenta da referida casa de pasto disse que não tem nada a responder aos verdes, visto que só tem obrigação de dizer se a comida possui glútem ou lactose. Sobre a demissão do ex-nutricionista, ela disse que foi justa causa, após ele ter perdido sua ponte numa panela de feijão: "isso nos deu um prejuízo enorme, porque a ponte entupiu o limpador de bandejas".


Bandejão sofre mais um novo ataque de fúria dos verdes da Universidade
Os ânimos ainda estavam quentes entre os verdes, por conta dos caldos nas comidas, e novo caso de restos animais no Bandejão pôs o grupo novamente em estado crítico. Desta vez, porém, eles não ficaram sozinhos e conseguiram apoio de importante parcela do Todos Pela Universidade, assim como das Fãs da Sandy, da Peitoral Universitária, da Abu-Seita Cristã e congêneres, e até de um recém criado grupo, o Dondocas Acadêmicas - que possui também muitos dondocos -, e que congrega frescos de toda a Universidade.
O patuá da vez é a descoberta de restos de comida no início do cabo dos garfos. A administração do Bandejão alega que o que há ali são apenas camadas geológicas de feijão de refeições passadas, mas os verdes alegam que além de feijão, há "restos de cadáveres" também. Pesquisa realizada por um deles mostrou que havia resquícios de um bife ao molho escuro, provavelmente servido em 1997. Dondocas Acadêmicas, Fãs da Sandy e demais grupos que apóiam esse levante verde contra o Bandejão dizem não estar preocupados com restos do que que há lá, mas com o fato de haver restos. "Eu nunca havia olhado atrás do garfo, até que alguém do meu lado [sim, fomos nós, da ETZN quem começamos com esta] comentar. Eu virei, e que nojo, que nojo, estava preto!".
O nutricionista atual do Bandejão diz que só vê vantagens com esses "eventuais restos de feijão, carne, escamas, células da gengiva, etc", pois isso ajuda na absorção de vitamina B12 por parte dos clientes universitários.
A presidente do Bandejão se defende, diz que não são todos os garfos que estão assim tão sujos que cheguem a ficar pretos. Segundo ela, 10% dos talheres possui um nível satisfatório de limpeza. Ela também acusou de hipócritas boa parte dos alunos enojados com o verso dos garfos: "conheço república, já morei em várias, o pessoal troca roupa de cama uma vez por ano, deixa louça acumular por mais de uma semana, e vêm reclamar de eventuais craquinhas no verso dos garfos". Ela disse ainda que todos comiam muito bem antes de serem avisado para "não olharem no verso do garfo para não sofrerem uma desagradável surpresa". Por fim, ela ameaçou cobrar do Trezenhum eventuais aumentos nos custos da lavagem dos talheres.


Faculdade das Humanas inaugura nova obra
Dando continuidade ao programa de expansão da Faculdade das Humanas, foi inaugurado em fins de abril uma nova obra na referida Faculdade. Depois do prédio dos fundos e da ampliação da biblioteca, foi inaugurada a obra de um puxadinho na biblioteca. Naja Fatah diz que não é para confundir as reformas: "uma coisa é a ampliação, outra coisa é o anexo. Apesar deste depender daquele para ter ligação com a biblioteca, são obras independentes". Com mais essa obra - prevista para ser concluída em 180 dias -, a Faculdade das Humanas reafirma seu papel de um dos principais canteiros de obra da Universidade e grande pista de teste para metodologias revolucionárias de construção e reforma - como a reforma da biblioteca para a construção de um tobo-água (ver TZN41, talvez). O puxadinho é a quarta ou quinta obra (perdemos a conta) desde 2006 e que, como as demais, possui prazo de 180 dias para ser concluída, o que significa, em termos de calendário universitário que ficarão prontas lá por 2061. Por favor, não confundam com o calendário da FEPESP, em que os dias possuem doze horas, para melhor otimizar o tempo e garantir a produção maciça de papel acadêmico.
Esta nova obra, contudo, gerou grande polêmica dentro da Faculdade. M. Spaceships acusa as obras de reacionárias e conservadoras: "elas trazem implícitas uma evidente defesa do construtivismo". Ele disse que a sucessão de obras pretendem acostumar os clientes universitários da região a essas idéias, de modo a melhor implementar o curso de direito. Vacato, apesar de achar o curso de direito um direito da Faculdade, concorda com a análise sobre o conservadorismo: "tenham dó, curso de direito sim, Rawls, nunca! Vamos ensinar aqui direito revolucionário: Lênin, Trotsky, Stálin". Oberto Ostrogodo, por seu turno, disse que a postura dos seus colegas da ciências sociais atrasa a implementação do referido curso. Ou, em suas próprias palavras: "a propedêutica à exsurjão [sic] de uma cadeira de tal porte se faz mister concomitante à inculcação de princípios cristãos e liberais - via patibular, que seja -, de onde Rawls pode ser, mas não Stálin. Quer dizer, Stálin, só na prática, como as éticas atitudes de nossos magnânimos anteriores. A revel às éticas obras em nossa Universidade são um acinte de quem defende láudanos livre a todos, o que só torna as pessoas nobres e importantes rebarbativas à nossa Faculdade". Ele disse ainda ser orgulhoso do "impertérrido da vanguarda das suas posições: se Deus está comigo, quem estará contra", questiona, por fim. Oberto Ostrogodo, ex-candidato humilhado a reitor, famoso comentarista de clínicas de estética, é reconhecido internacionalmente pelo seu academicismo barroco-rococó-parnasiano-complexo-vazio (ou dispensável por redundante ao senso comum), e pela abundância de referências bibliográficas (ele costuma recomendar cerca de 25 livros por hora, todos em francês, italiano e inglês, eventualmente).
Ainda não se sabe qual será a utilidade do puxadinho até sua conclusão, em 2061. O prédio dos fundos, por exemplo, já serviu de palco para dança, além de ser ótimo lugar para jogar bola em dias de chuva ou de sol forte; a ampliação da biblioteca tem sido utilizada para secagem de livros. De qualquer forma, a obra fica em exposição até 2061 na entrada da Faculdade das Humanas. Os engenheiros responsáveis apenas pedem que não se tire fotos com flash, para não atrapalhar o andamento dos trabalhos.


Anti-Espaço Cultural Casa de Lego e Faculdade das Humanas promovem congresso de antropologia
O Anti-Espaço Cultural Casa de Lego hospedou importante congresso de antropologia no início de maio. O congresso foi organizado pela Aglomeração Feminista, pelo Paguá - o núcleo de estudos do gênio feminista da Faculdade das Humanas -, e pela Faculdade das Humanas, e teve como tema "por que bunda de índio não possui celulite?". Estiveram presentes no evento alguns dos principais antropólogos do mundo, dentre eles o antropólogo pop, considerado a reencarnação do Machado por sua prosa ácida (considerado por si mesmo, só para ficar claro), e colunista da revista Olhe, Morteiros de Castro.
Conforme a professora dra. Naja Fatah, antropóloga presidenta da Faculdade das Humanas e gerente do Canil Universitário, a questão ali debatida "é a mais relevante de todos os tempos da antropologia. No fundo, é a questão que move todo antropólogo a sair do conforto do seu lar para ir tomar ayuasca e fumar ervas legais no meio da floresta, com um bando de índio incultos". Ela afirmou ainda que, apesar de não haver uma resposta definitiva, a discussão foi muito frutífera, em especial para pesquisas de campo, e que parcerias com a Faculdade das Plantinhas e com a Faculdade dos Boticários podem estar surgindo a partir desse congresso. Já a professora B. disse que o congresso foi às raízes da antropologia, "porque antropologia é isso: fazer fofoca da vida alheia, ver quem comeu quem, e ver bunda de índio". A aglomeração feminista também comemorou a discussão, dizendo que em ela apontou rumo à dominação feminista do mundo: "poderemos queimar não só nossos sutiãs e nossas lâminas de depilação como nossas calças", vibra T, da Aglomeração Feminista.


Grupo Público Ltda. S/A vence avacalheição na Moradia dos Estudantes
Depois de ocuparem, dominarem e destruírem o DFE (Diretório Formal dos Estudantes) e muitas Casinhas Acadêmicas da Universidade, o Grupo Público Ltda. S/A, holding de gerenciamento político de migalhas públicas, volta suas atenções para a Moradia dos Estudantes. A escolha dos representantes [sic] deste ano teve incomum grau de politização [sic]. Aproveitando do vácuo deixado pelo grupo do camarada Quiabo, três vezes vencedor do troféu mala do ano, a empresa tratou de impor seu modus operandi de condução democrática de vitória eleitoral. Para a sorte deles, o Maicou Mur da Universidade não estava na chapa adversária, até porque não havia chapa adversário. S., presidente do grupo, nega que tenha havido qualquer tipo de manipulação: "estivemos abrindo o edital para as chapas, como deve estar acontecendo nessas horas. O edital esteve sendo aberto com uma semana de antecedência, e se ninguém esteve se interessando em estar nos procurando para saber dele, nós não estamos tendo culpa do desinteresse dos estudantes". Ele disse ainda da sua tristeza em ver os estudantes cada vez mais alienados e desmobilizados, e prometeu que a chapa vencedora - até que a casa caia - seguirá os princípios do Grupo Público Ltda. S/A., já imortalizados na CRI - Chapa Revolucionária Institucional -, de modo que eles só abandonarão os cargos em caso de fim da Moradia dos Estudantes: "assim estaremos garantindo a mobilização dos estudantes", completa.
Como principais bandeiras da atual gestão estão a abertura de 15 mil vagas na moradia, de autonomia dos moradores: que quem vá morar lá seja escolhido pelos próprios estudantes, mais especificamente pelos seus representantes democraticamente [sic] eleitos para representá-los; mais verbas para a moradia, visto que a Universidade não se dá ao trabalho de contratar empregadas para as casas, ou manobristas para os carros dos moradores; outra reivindicação é o fim da repressão no pastus, com a autorização de festas todos os dias e raves dia sim dia não, além da reabertura da boca da Moradia dos Estudantes (veja um TZN não muito velho aí do lado).


Edith quase lança livro sobre cursos acadêmicos
Diante do grande número de desistências e desilusões com o curso, a Edith - Editora Trezenhum - lança um livro que promete ajudar a diminuir esses casos. Depois de muita pressão, seu autor, ex-integrante da Equipe Trezenhum, finalmente aceito tirá-lo do prelo e dar-lhe a luz. Trata-se do livro Classificação dos cursos conforme a reação dos pais, fruto de anos de observação e pesquisa desse atento pesquisador da Equipe Trezenhum.
O autor, contudo, ressalta que o livro pode ajudar na hora de escolher um curso, mas não pretende sanar o grosso de problema de desilusão acadêmica: "o pessoal acha que só porque passou no vestibular, depois de anos sendo adestrado para isso em escolas particulares, tem cérebro, e que basta sentar a bunda nos bancos universitários que se tornará o gênio que nunca foi nem passou perto de um dia ser. Ao ver que não aconteceu de se tornar um gênio, essa galera vai se desiludindo com o curso, dizendo que a culpa é da Universidade, e no fim se forma sem saber nada (a não ser algumas novas opções de cantadas manjadas)". Questionado sobre o que mais uma pessoa pode sentar além da bunda, ele não foi capaz de nos dar uma resposta satisfatória.
Sobre o que motivou a tal interessante pesquisa, o autor lembra que a idéia surgiu quando ele tentava elaborar uma cantada um pouco diferente das tradicionais e infalíveis "eu vi que você estava olhando para mim", "você vem sempre aqui", "vamos dar uma volta, pra gente conversar, se conhecer melhor?", e por aí vai. Porém, notando, segundo ele, que "japonesas não parecem ter um senso de humor muito aberto", ele abandonou essa cantada por outra mais séria, "mas não menos criativa". "Não deu muito certo", lamenta. Na verdade, deu muito errado, principalmente para a pobre garota, que se viu obrigada a pedir ajuda ao serviço de proteção à testemunha e desde então paga três analistas. Ela se recusou terminantemente a falar com nossa reportagem. Segundo uma amiga próxima, hoje, melhor, ela ainda tem ataques quando escuta Doors, apesar de ter evoluído, e já não mais sair correndo quando avista nosso eufemístico camarada.
No pré-lançamento mundial do livro, semana passada, Classificação dos cursos conforme a reação dos pais foi um sucesso em diversas partes do mundo. Em São Paulo, ficou em segundo lugar na lista dos hits mais vendidos. Em Nova Jersey, atingiu o quinto lugar. E a inesperada surpresa foi o sexto lugar nas paradas das livrarias de Granada.
Um pequeno porém, porém, houve no meio do caminho: os livros estavam guardados na Biblioteca das Humanas, por lapso do responsável, que esqueceu que ali funciona também um toboágua. Resultado: tudo o que sobrou foi um esboço velho e já sem graça (mais sem graça) do curso de filosofia. A parte legal, medicina, engenharia, economia, saúde, licenciaturas, plásticas, isso foi perdido. Reproduzimos o que sobrou a seguir, só para constar:
"Parabéns calouro pela sua aprovação! Afinal você entrou no segundo melhor curso de filosofia da Cidade!!! Sabemos que passar no vestibular não foi o mais difícil. Duro mesmo foi criar coragem e assinalar o curso de filosofia na ficha de inscrição. Temos experiência, sabemos como as coisas estão para você: seu pai não te olha mais na cara, sua mãe chorando pelos cantos, perguntando "meu filho, onde foi que eu errei?", seu irmão menor com vergonha dos coleguinhas, seu tio, no churrasco de domingo, abrindo aquele sorriso sarcátisco e perguntando "mas o que é que faz um filósofo", e você gagagaguejando, sem conseguir dar uma resposta convincente.
Não saber o que faz um filósofo é resultado da falta de informação sobre o curso. Falta de informação – diga-se de passagem e não sem propósito – que dura até o fim do curso, pelo menos. Essa desinformação é também um dos grandes responsáveis pelo preconceito com a filosofia. Outro fator é a inutilidade da carreira.
Os filósofos costumam se dividir em três grandes grupos: padre/freira, maconheiro (a) e vagabundo (a). Caso você não se enquadre em nenhuma dessas categorias, são grandes as suas chances de ter errado de curso. Mas não desanime, vestibular tem todo ano e há ótimos cursinhos! Se você se enquadrou em uma delas, você deve estar no curso certo. Agora, se você se enquadrou nas três categorias, parabéns! Você tem um futuro promissor no ***! Depois de formado é outra história, mas na faculdade você vai se dar bem!
Mas não bajulemos demais o curso, que ele tem seus pontos fracos, como todo curso. Final de semana de três dias, poucas provas, alguns trabalhos, nada de aula nas férias (o que significa, nada de recuperação). Para depois de formado (os tradicionais três mosqueteiros de cada turma) o mercado de trabalho também é muito amplo, falta apenas ser descoberto (se você descobrí-lo, por favor, avise-nos!).
Como o curso exige muita leitura e escrita, você pode seguir, quem sabe, a carreira de escritor. Seguir o exemplo do Guimarães Rosa (ah, não, ele era médico), do Carlos Drummond de Andrade (ops, esse era farmacêutico), da Marilene Felinto (não, ela se formou em letras), do José de Alencar (xii, ele era advogado). Enfim, isso mostra como é amplo o mercado de trabalho, você pode ser o primeiro filósofo romancista famoso do Brasil!
Enfim, como dizia aquele grande filósofo: "Inútil, a gente somos inútil!"
[aqui termina o que sobrou do manuscrito]



Enquanto isso num mundo distante...
Padre acusado de dirigir quase nu e bêbado deixa a prisão
DA AGÊNCIA FOLHA
O padre Silvio Andrei Rodrigues, 40, acusado de ato obsceno, corrupção ativa e embriaguez ao volante, foi libertado ontem à tarde do Centro de Detenção e Ressocialização de Londrina (379 km de Curitiba).
Preso anteontem em Ibiporã (região metropolitana de Londrina), ele é acusado também de propor sexo oral a um PM ao ser abordado quando dirigia vestindo apenas uma camisa.
O juiz Sérgio Aziz Neme acatou pedido de liberdade provisória. Conhecido por suas apresentações na emissora católica TV Canção Nova, Rodrigues é sacerdote de uma paróquia no Ipiranga, zona sul de São Paulo. Estava em Londrina -atuou na região por mais de dez anos- para celebrar um casamento.
No auto de prisão, os PMs disseram que o padre ofereceu R$ 490 para não ser preso, que estava embriagado e que havia uma garrafa com cachaça no carro. O advogado dele, José Adalberto Cunha, 47, negou.
Segundo ele, o padre retirou a batina porque vomitou. ""Ele toma antidepressivos e bebeu vinho no casamento, perdeu a memória, passou mal e vomitou." A arquidiocese de São Paulo disse que "recebeu com perplexidade" a notícia e que espera a apuração dos fatos.


Dica TZN
NÃO olhe o verso do seu garfo no Bandejão.


Troféu Peter Pan de Resistência
Como última edição, nosso troféu Peter Pan de Resistência vai para alunos, funcionários e professores que por três anos nos deram matéria-prima abundante para escrever quatro vezes mais do que escrevemos. Também nos damos o Troféu Peter Pan de Resistência, por termos segurado a peteca de suportar a Universidade, observando-a com lupa, por três anos.


????Dúvida TZN

O tal do "consumo consciente", apregoado pelo Trote das Cidadanias, é quando se está consciente de que se está sendo consumido quando acha que consome? Ou é ser enganado duas vezes?


Trezenhum disponibiliza moldes da camisa do bandejão
Pedido antigo finalmente é atendido. Para fazer a sua, basta se virar. Sugerimos por o pequeno TZN no canto da bandeja, apenas para mostrar que você também faz parte da campanha "Eu tenho moela - em defesa do Bandejão".

Nota da redação: Grande...
...pra caralho! Mas era queima de estoque. Um pouco de compreensão, por favor. E olha que não foi tudo. Faltou, por exemplo, o fantástico tomate em pó, o tal de Centro de Estudos [sic] Avançados [sic] e o golpe internacional aplicado pela Universidade, quase como os aliciadores de lavradores italianos no século XIX ("Universidade atrai professores [estrangeiros] visitantes"), isso só para ficar no boletim oficial da semana passada.


Nota da redação: 22 de maio de 2007

Putaqueopariu! Três anos de Trezenhum?!


Nota da redação: Supérfluo
Dizia já Simão que o Brasil é o país da piada pronta. Como quando um padre bêbado resolve dirigir pelado, e propõe sexo oral para evitar ser preso. Diante de notícias como essa, nossa pergunta: Trezenhum para quê?


Nota da redação: "Avacalheição"
Pois é, chegou tarde o insight do avacalheição (avacalhação+eleição), infelizmente. Fica a sugestão caso alguém resolva cobrir tanto as avacalheições para presidente, governador etc quanto para caso alguém resolva perder seu tempo com a avacalheição para o DFE.


Nota da redação: Não-vacinados
Ocorreu não só que a Equipe Trezenhum fugiu da vacina para gripe porcina, como ficou bastante evidente que nossa vacina anti-rábica estava vencida.


Nota da redação: Trilha sonora
Sim, sabemos que Brahms é quem tem uma abertura acadêmica famosa. Sim, sabemos que "Todo carnaval tem seu fim" é música do Loosermanos. Mas sugerimos como trilha sonora "Musique d'Ameublement", do Erik Satie. Que pode ser ouvido como um belo poema da vida acadêmica.


Nota da redação: Festival do eu já sabia e do era óbvio
A próxima nota de redação, apostamos, vai dar num festival de "eu já sabia" e de "era óbvio". Mas duvidamos: o máximo que aceitamos é "eu já suspeitava".


Nota da redação: Todo carnaval tem seu fim
É difícil fazer humor, mesmo que sem graça, por três anos. Cai-se em certas fórmulas, em certos esqueminhas, torna-se repetitivo. Ainda mais quando esse pretenso humor pretende cobrir os ocorridos de um local extremamente repetitivo: a universidade. Há quem diga que não se deve criticar a universidade por isso, pois ser repetitiva é ser coerente: afinal, poder repetir um experimento não é um dos princípios da ciência? Então, por que não repetir o quotidiano ano após ano, praticamente sem alterações? Trezenhum acredita que não precisava ser assim tãããão repetitivo. Porém, nesse fazendão, longe do mundo, complica um pouco: parece haver certa perda cognitiva por parte dos clientes universitários (das três categorias), que não só se julgam superiores - como sói acontecer em outras universidades -, como imaginam que o mundo é basicamente uma universidade ampliada, de forma que se a FEPESP conseguisse impor seu padrão de produtividade, o mundo seria um mundo melhor, porque os padrões da administração pessoal e de recursos humanos geralmente utilizados são brincadeiras de criança frente às exigências da FEPESP. Em geral, tais pessoas não tem contatos imediatos com o mundo distante - salvo baladas, chópins ou assaltos - desde os 18 anos.
Mas não é por isso, por ter se tornado repetitivo ou supérfluo, que Trezenhum encerra aqui suas atividades. Repetitivo somos desde a segunda edição. Supérfluos, isso desde sempre fomos, porque as piadas já vem prontas - nós apenas juntamos as notícias e ajustamos o estilo, com milimétricas correções nos fatos aqui e ali, coisa que qualquer veículo de comunicação faz sempre - e porque não somos produtivos, de forma que crítica mais reiterada que sofremos foi "vocês não fazem nada de útil, não?". E o pior é que fazíamos (e não estamos falando do Trezenhum).
O motivo do fim do Trezenhum é porque cumpriu-se aqui, hoje, os objetivos expressos na primeira edição, de estimular a revolução e combater a depressão. A revolução revolução não chegou - ainda não temos Nintendo Uí para todos, como pregava a tese de greve permanente apresentada em 2007, salvo nos quiosques dos bancos instalados pelo pastus -, mas ao menos chegou Maio-68, como era enormemente esperado - pelos grevistas oficiais, pelos rebeldes saudosistas do que não viveram, pelos revolucionários de todo o pastus, pelos sonhadores do sexo livre e aspirantes ao reino lisérgico. Se não aconteceu exatamente como Maio de 68, paciência, tais tipos podem seguir tentando brincar de "That's the 60's". A gente já cansou desse teatrinho.
E foi uma grande honra que maio-68 tivesse chegado justo por nossas mãos! Inesperada, por sinal, como toda revolução. Daí que Trezenhum não tem mais o que fazer. E maio de 68 chegou no momento certo, visto que Trezenhum já não aguentaria muito tempo, mesmo. Ao menos desde 2008 - pelo que tivemos paciência de procurar - nos perguntamos por que continuar. Foi um longo, lento processo de baixas e decadência. Começou quando a ala vagabunda da Equipe arranjou emprego. Continuou quando a ala atéia e anti-clerical passou a financiar as camisinhas do Papa. E agora ganha o golpe de misericórdia quando o último dos moicanos resolve virar a casaca e vestir a camisa da Universidade Super Poderosa. Pior: apesar de tentar fazer sua parede igual à de salão de beleza, cheia de diplomas inúteis (diplomas! certificados de congresso, viagem, etc, não!; pois isso seria muita apelação), diz que não pretende virar um academicista orgulhoso.
Há, ademais, uma série de projetos paralelos mais interessantes, de lazer, profissionais, semi-profissionais: a revista Casuística, prestes a lançar o número 10 (www.casuistica.tk); as conversas sobre um novo grupo de humor, ainda sem nome, e em dupla, não mais em trio; a produção do programa radiofônico/podicástico Podicrê; seguir com a produtora de vídeos pornô - que, por sinal, tem ganho certo destaque em sites especializados em alt-porn: "Pornô com toques de Lynch", Gogo Pornville, "'Lynchporn'? An interesting try", X-Plastic International Reviews -, (mais) uma banda, os grupos de intervenção urbana, novos livros, um novo romance, o golpe num certo jornal universitário, e, claro, emprego.
Sem pedir autorização, registramos aqui nomes de gente da Universidade que poderia, com o vácuo deixado por Trezenhum, assumir o posto, inclusive com muito mais propriedade, graça, estilo e classe: R. Pavani e A. Welle [e Ph. Concli (PS)]. Há, claro, pessoas outras, algumas que não conhecemos, outras que não citamos, porque são professores e preferimos não nos indispor com quem pode, eventualmente, vir a estar na nossa banca de seleção ou de defesa.
Agradecemos a todos e todas que nos acompanharam estes três anos; a todos e todas que de maneira direta ou indireta, consciente ou inconsciente, oficial ou inoficial contribuíram de alguma forma para o Trezenhum, seja falando besteira em assembléias, fazendo o de sempre, contando fofoca ao lado da pessoa errada, correndo atrás da gente ou da gente, comentando alguma coisa aparentemente sem importância para nós, ou dos fofoqueiros que nos informavam; teríamos muito mais gente para agradecer, mas Maguila, apesar de reconhecido existencialista, não nos influenciou desse tanto.

Em nome de toda a Equipe Trezenhum (pretérita presente e póstuma),
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
o Sérgio aproveita pra também mandar lembranças
a todo o pessoal
Adeus!

Daniel Gorte-Dalmoro
www.comportamentogeral.blogspot.com

esta edição teve o oferecimento de...
CBM
Central Brasileira de Mentiras
A rádio que troca notícias


e de...
BOLSA MARSUPIAL
A melhor bolsa de estudos: dinheiro acompanhado de carinho


Talvez apareça um PS em breve, com PDF do Trezenhum

Trezenhum. Humor sem graça. Nº 68.
Todos os esquerdos reservados. Na ausência destes o uso é livre (mas ideológico). www.trezenhum.blogspot.com